Gestantes recebem massagem com óleos essenciais em maternidade pública de BH
Para a medicina tradicional, técnicas como massagens e escalda pés carecem de comprovação científica. Mas acupunturista não tem dúvida da eficácia.
O tratamento especial dá conforto num momento de muita ansiedade. O preparo começa ainda no pré-natal, com escalda pés de plantas aromáticas calmantes.
O Sistema Único de Saúde incorporou estas práticas em 2006, mesmo com o protesto da sociedade médica brasileira. Para a medicina tradicional, estas técnicas carecem de comprovação científica. Mas a acupunturista Vânia Martins Machado, que ajudou a implantar o serviço, não tem dúvida da eficácia.
O programa conversou também com a instrutora de negócios Paula Portela Judice, que teve uma crise de burnout e buscou socorro numa unidade de atenção básica do SUS no Jardim Canadá, em Nova Lima, região metropolitana de BH. No posto, ela já tratava a ansiedade com terapeuta ocupacional.
A aromaterapia é oferecida de graça para a comunidade, no posto. A terapeuta ocupacional Juliane Kate Alves conta com um arsenal de cheiros que usa conforme a necessidade dos pacientes. Para Paula, por exemplo, ela conta que usou bergamota, que tem um componente que acalma a ansiedade e o óleo de hortelã, que ajuda a focar, a concentrar e resfria bastante a agitação psíquica, segundo a terapeuta.
No início da pandemia de Covid, o posto suspendeu quase todos os atendimentos. Sem poder atender a população, Juliana teve a ideia de tratar os colegas do posto - médicos, enfermeiros e assistentes sociais - com aromaterapia.
“Eu me vi na obrigação de oferecer os meus recursos porque são recursos muito efetivos e simples. Eu não precisava tirá-los mais do que 20 e 30 minutos da atuação deles. As demandas de insônia, ansiedade e dores musculares são muito procuradas por essas práticas. E aí, nesse contexto da pandemia, esses colegas todos estavam reclamando exatamente dessas demandas”, conta Juliana.
A Glícia dos Santos, que é técnica de enfermagem, lembra que que os primeiros meses da pandemia no posto foram assustadores por ser uma doença nova. Quando ela ficou sabendo da ideia da colega Juliane, não levou a sério:
“Nunca acreditei que um óleo seria capaz de transformar. Não é remédio, não é medicamento, mas é um óleo que foi mexendo com a mente. [...] Não é só para o estresse. É para uma rinite, é para uma alergia, é para tranquilizar para um estudo, para uma concentração”, descreve Glícia.